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Indústria da beleza deve consolidar recuperação, mas margem preocupa
Fonte: DCI
Notícia publicada em: 12/01/2018
Autor: Rodrigo Petry

A indústria de beleza e cuidados pessoais deverá consolidar esse ano a recuperação da produção, com espaço inclusive para mais lançamentos. O cenário de consumo aquecido, porém, não é garantia de mais rentabilidade, devido à alta dos custos de insumos.



A expectativa do setor é de que o faturamento cresça cerca de três vezes acima do resultado do Produto Interno Bruto (PIB) que, de acordo com a última projeção publicada pelo Boletim Focus, do Banco Central, será de 2,7% este ano. Assim, haveria um espaço de alta, em termos reais, de aproximadamente 8% para o faturamento consolidado das indústrias.



Os números são um alento ao setor, que pode ter crescido de forma real em cerca de 2% no ano passado, revertendo as quedas de 9,3%, de 2015, e de 6,3%, de 2016 – as primeiras em quase 20 anos, segundo a Abihpec, entidade que representa as empresas.



Para 2018, um indicador das perspectivas mais positivas está no avanço dos projetos de lançamentos de novos produtos, segundo executivos de empresas fornecedoras de ingredientes consultados pelo DCI.



Com a recuperação econômica e, principalmente, do emprego, abre-se espaço para que o consumidor possa ampliar de forma qualitativa sua cesta de consumo ao longo deste ano. Já para a indústria, esta é a oportunidade que as empresas têm para testar no mercado produtos mais inovadores, ao mesmo tempo em que buscam ampliam o tíquete médio dos produtos vendidos.



“É impressionante a quantidade de empresas que estão nos chamando para participar de eventos de inovação e apresentação de novos projetos. Isso mostra que há uma boa perspectiva de consolidação da recuperação que observamos no último trimestre do ano passado”, diz o gerente comercial da Colormix, Alexandre Monteiro. Segundo ele, as indústrias estão com uma visão de melhora do tíquete médio de seus produtos. “As linhas ‘comoditizadas’, de itens mais básicos, devem seguir, mas toda essa inovação é para puxar o valor agregado.” Percepção semelhante tem o diretor-geral da Assessa, Daniel Barreto, que também fornece insumos à indústria de beleza e cuidados pessoais.



“Estamos vendo uma reação das indústrias, com mais projetos e lançamentos na rua.
Não é uma recuperação avassaladora, espetacular, mas é significativa”, analisa.
Ele ressalta que os itens do setor têm um fator de essencialidade, em se tratando de xampu, sabonete e desodorante, o que evitou durante a crise seu corte definitivo da cesta.



No entanto, a indústria não passou ilesa, sofrendo com o rebaixamento dos preços. “O consumo em toneladas não caiu na mesma proporção do valor dos produtos”, ressalta.
Mesmo que o ambiente esteja mais positivo, a recomposição das margens por parte da indústria, com a comercialização de produtos de maior valor, vai depender do aumento da renda disponível ao consumo.



“A melhora do emprego precisa se transferir para um maior gasto do consumidor”, pondera o gerente comercial da distribuidora de produtos químicos Bandeirante Brazmo, Michael Perone. De toda forma, ele acrescenta que o resultado da empresa no final de 2017 “s u r p re e n d e u”, ficando 10% acima do projetado.



C u st o s Por outro lado, o ano começa com um alerta: a alta dos insumos.
Entre os que preocupam está o petróleo, que ontem chegou a bater a faixa dos US$ 70 – maior valor desde dezembro de 2014. “Isso poderá levar o preço das matérias-primas a seguirem em alta ou até subirem mais”, diz Perone, que não descarta um aumento de cerca de 10% dos preços no primeiro trimestre, que poderiam cair a partir do segundo trimestre.
Inicialmente, o setor esperava por uma retração dos custos.



Monteiro, da Colormix, acrescenta que muitos insumos fabricados na Ásia, no segmento de química pesada, também vêm enfrentando tendências de aumento, pelas maiores restrições no âmbito ambiental, reduzindo a oferta à cadeia produtiva. Além disso, como a maior parte dos insumos é importada, a cotação do dólar será outro fator que poderá restringir margens.


UM DEGRAU ACIMA? MAIS QUANTIDADE POR MAIS VALOR 

Durante a crise econômica, o consumidor não deixou de comprar, mas passou a optar por itens com preços mais acessíveis em relação aos mais caros – o chamado efeito “trade down” de consumo. A expectativa é de que a recuperação do emprego melhore a renda disponível e, junto, a venda de produtos de maior valor. O aumento dos lançamentos é a alternativa da indústria para vender mais e com melhor preço

 



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